Tendo um pai que adorava saber detalhes sobre os lugares, não poderia deixar de lado os fatos históricos. O texto a seguir foi feito a partir de leituras e conversas com colegas de trabalho. Observem que está escrito em Português Moçambicano. Ainda não consigo escrever como eles, pedi a um colega para fazer a "tradução".
A
penetração portuguesa em Moçambique, iniciada no início do século XVI, só em
1885 — com a partilha de África pelas potências europeias durante a Conferência
de Berlim — transformou-se numa ocupação militar, com a submissão total dos
estados ali existentes, levando, no início do século XX, a uma verdadeira
administração colonial. Aos moçambicanos foi imposto o idioma português e,
mesmo sem que houvesse um regime de escravidão, foram obrigados a fazer
serviços pesados na abertura de estradas e extração de minérios.
Houve
resistência por parte dos Moçambicanos e um desejo de liberdade foi
contaminando o povo. Com isto, três grandes grupos (UNAMO, UDENAMO e MANO) (de
forma individualizada e desorganizada) passaram a lutar a favor da
independência, (cada um com sua ideologia e a seu modo). Nada conseguiram. Há
50 anos estes grupos uniram as forças e, num Congresso (o primeiro, em 1969), onde
foi fundada a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo). A partir daí
iniciou-se uma guerra de libertação que durou cerca de dez anos. Moçambique
tornou-se independente a 25 de Junho de 1975, que coincidiu com a Revolução dos
Cravos, em Portugal, a seguir à qual o governo português assinou com a Frelimo
os Acordos de Lusaka (a 7/09/1974).
Com a proclamação da independência, nasce a
nação denominada República Popular de Moçambique. É instituído no país um
regime socialista de partido único, cuja base de sustentação económica viria a
degradar-se, progressivamente, até à abertura feita nos anos de 1986-1987,
quando foram assinados acordos com o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional.
A abertura do regime foi ditada pela crise económica em que o país se
encontrava e pela guerra civil que o país atravessou entre 1976 e 1992.
Na
sequência do Acordo Geral de Paz, assinado entre os presidentes da República
Popular de Moçambique e da Resistência Nacional de Moçambique - Renamo, o país
assumiu o pluripartidarismo, tendo tido as primeiras eleições com a participação
de vários partidos em 1994. Após estas primeiras eleições, é feita uma revisão
à constituição do país e adoptada uma nova designação, passando de República
Popular de Moçambique para República de Moçambique.
Para
além de membro da ONU, da União Africana e da Commonwealth (Comunidade das
Nações), Moçambique é igualmente membro fundador da Comunidade para o
Desenvolvimento da África Austral e, desde 1996, da Organização da Conferência
Islâmica.
Bem,
optei por dar uma aulinha de história para que possamos compreender algumas
coisas por aqui. O país é muito novo, há apenas 20 anos vive em paz e na busca
do crescimento. Percebo o país com um misto de passado, presente e em busca do futuro.
Temos por aqui problemas de pobreza absoluta (em combate cerrado), desnutrição crónica,
pouca produção de alimentos e um alto índice de analfabetismo. É curioso, pois
verificamos no país todas as facilidades do mundo moderno: telefonia móvel,
internet, etc, convivendo com hábitos e tradições mais antigos. Registe-se que
o país está a atravessar um dos grandes momentos de recuperação económica, em
tão curto espaço de tempo.
Outra
característica é mistura de etnias. Vemos a caminhar nas ruas, negros, brancos,
mulatos, indianos, asiáticos e árabes. Também há o convívio entre as diversas
religiões: católica, protestante, espírita (kardecista), muçulmana e hinduísta.
Bem
amigos, estas são as minhas primeiras impressões sobre o país. Devo lembrar
que, por enquanto, só conheço a capital – Maputo. Em breve estarei fora, em trabalho,
e conhecerei províncias (estados) de norte (Nampula), Centro (Manica e Tete) e
sul (Gaza) do país. Aí poderei contar-lhes mais alguma coisa.
Obs.: Meu siceros agradecimento ao Sr. Marcelino Matola, meu professor da cultura local e, eventualmente, o tradutor para dos meus textos para o português moçambicano.
Legal!! Se não estou enganado esses "problemas econômicos" do período entre 76 e 92 também se deram em função do permanente estado de guerra civil entre a Frelimo(Governo Socialista) e a "Resistência Nacional" (apoiada pelo "Ocidente" - EUA), confere?. Abraço!
ResponderExcluirEstás certo! O período de guerra civil foi desastroso para a nação. Hj convivem as duas ideologias e o país está a crescer. Acredito que daqui há alguns anos este país estará em situação melhor. Da minha parte, estou fazendo o possível e vejo muitas pessoas com o mesmo pensamento.
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