segunda-feira, 2 de julho de 2012

Moçambique, um país a ser descoberto

Tendo um pai que adorava saber detalhes sobre os lugares, não poderia deixar de lado os fatos históricos. O texto a seguir foi feito a partir de leituras e conversas com colegas de trabalho. Observem que está escrito em Português Moçambicano. Ainda não consigo escrever como eles, pedi a um colega para fazer a "tradução".
A penetração portuguesa em Moçambique, iniciada no início do século XVI, só em 1885 — com a partilha de África pelas potências europeias durante a Conferência de Berlim — transformou-se numa ocupação militar, com a submissão total dos estados ali existentes, levando, no início do século XX, a uma verdadeira administração colonial. Aos moçambicanos foi imposto o idioma português e, mesmo sem que houvesse um regime de escravidão, foram obrigados a fazer serviços pesados na abertura de estradas e extração de minérios.
Houve resistência por parte dos Moçambicanos e um desejo de liberdade foi contaminando o povo. Com isto, três grandes grupos (UNAMO, UDENAMO e MANO) (de forma individualizada e desorganizada) passaram a lutar a favor da independência, (cada um com sua ideologia e a seu modo). Nada conseguiram. Há 50 anos estes grupos uniram as forças e, num Congresso (o primeiro, em 1969), onde foi fundada a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo). A partir daí iniciou-se uma guerra de libertação que durou cerca de dez anos. Moçambique tornou-se independente a 25 de Junho de 1975, que coincidiu com a Revolução dos Cravos, em Portugal, a seguir à qual o governo português assinou com a Frelimo os Acordos de Lusaka (a 7/09/1974).
Com a proclamação da independência, nasce a nação denominada República Popular de Moçambique. É instituído no país um regime socialista de partido único, cuja base de sustentação económica viria a degradar-se, progressivamente, até à abertura feita nos anos de 1986-1987, quando foram assinados acordos com o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. A abertura do regime foi ditada pela crise económica em que o país se encontrava e pela guerra civil que o país atravessou entre 1976 e 1992.
Na sequência do Acordo Geral de Paz, assinado entre os presidentes da República Popular de Moçambique e da Resistência Nacional de Moçambique - Renamo, o país assumiu o pluripartidarismo, tendo tido as primeiras eleições com a participação de vários partidos em 1994. Após estas primeiras eleições, é feita uma revisão à constituição do país e adoptada uma nova designação, passando de República Popular de Moçambique para República de Moçambique.
Para além de membro da ONU, da União Africana e da Commonwealth (Comunidade das Nações), Moçambique é igualmente membro fundador da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral e, desde 1996, da Organização da Conferência Islâmica.
Bem, optei por dar uma aulinha de história para que possamos compreender algumas coisas por aqui. O país é muito novo, há apenas 20 anos vive em paz e na busca do crescimento. Percebo o país com um misto de passado, presente e em busca do futuro. Temos por aqui problemas de pobreza absoluta (em combate cerrado), desnutrição crónica, pouca produção de alimentos e um alto índice de analfabetismo. É curioso, pois verificamos no país todas as facilidades do mundo moderno: telefonia móvel, internet, etc, convivendo com hábitos e tradições mais antigos. Registe-se que o país está a atravessar um dos grandes momentos de recuperação económica, em tão curto espaço de tempo.
Outra característica é mistura de etnias. Vemos a caminhar nas ruas, negros, brancos, mulatos, indianos, asiáticos e árabes. Também há o convívio entre as diversas religiões: católica, protestante, espírita (kardecista), muçulmana e hinduísta.
Bem amigos, estas são as minhas primeiras impressões sobre o país. Devo lembrar que, por enquanto, só conheço a capital – Maputo. Em breve estarei fora, em trabalho, e conhecerei províncias (estados) de norte (Nampula), Centro (Manica e Tete) e sul (Gaza) do país. Aí poderei contar-lhes mais alguma coisa.
Despeço-me como os moçambicanos: cordiais saudações.  
Obs.: Meu siceros agradecimento ao Sr. Marcelino Matola, meu professor da cultura local e, eventualmente, o tradutor para dos meus textos para o português moçambicano.

2 comentários:

  1. Legal!! Se não estou enganado esses "problemas econômicos" do período entre 76 e 92 também se deram em função do permanente estado de guerra civil entre a Frelimo(Governo Socialista) e a "Resistência Nacional" (apoiada pelo "Ocidente" - EUA), confere?. Abraço!

    ResponderExcluir
  2. Estás certo! O período de guerra civil foi desastroso para a nação. Hj convivem as duas ideologias e o país está a crescer. Acredito que daqui há alguns anos este país estará em situação melhor. Da minha parte, estou fazendo o possível e vejo muitas pessoas com o mesmo pensamento.

    ResponderExcluir