Nivaldo, flamenguista com saúde, pois "doentes são os outros". Fevereiro, 2005
Maputo, 18 de maio de 2012, 17h (horário do Brasil): Fiz uma ligação para minha mãe. Ela me atendeu falando entre lágrimas: Daisy, o teu pai
está morrendo!
Ao ouvir esta frase, senti um soco no estômago! Meu pai
morrendo… Mesmo sabendo ser esta uma certeza, nunca imaginei seriamente esta
possibilidade.
Imediatamente
vieram em minha mente imagens da minha infância. Meu pai: aquele homem grande e
forte segurando a minha mão e me levando para a casa da vovó Maria, pois minha
mãe havia ido ao hospital para ganhar neném (meu irmão). Lembro-me muito bem
daquele dia: eu e ele descendo a rua, chovia fino e fiquei olhando um filete de
água que descia rua junto com nós dois. Como me sentia segura, pois meu pai
estava me protegendo.
Depois ele foi
comigo até o hospital. Como ainda não tinha 3 anos, não pude entrar. Ele ficou
comigo no pátio e minha mãe surgiu na janela para me ver. Parece que foi ontem.
Anos mais tarde,
lembro-me de papai com um filho em cada mão, levando para brincar na pracinha
do bairro. Pois é… naquele tempo dava para brincar na pracinha do bairro.
Brincávamos com areia e papai nos ensinou a brincar no balanço. Adorava quando
ele me balançava bem alto. Entretanto ele queria que eu aprendesse a brincar
sozinha e brigava comigo. Hoje entendo que aquelas broncas tinham como objetivo
me tornar uma pessoa independente. Ele conseguiu!
Depois da manhã
de brincadeiras chegava o momento de voltarmos para casa, não sem antes entrar
na padaria São Thiago para comprar uma barra de chocolate para cada um. É, meu
pai tinha isso: o que fosse para um seria para o outro, só mudava a cor: rosa
para mim e azul para meu irmão.
São muitas as
lembranças. Papai tinha uma teoria pedagógica mesmo sem ser professor por
formação. Acreditava ser importante proporcionar o máximo de boas experiências
na infância. Com isto sempre se preocupava em levar-nos a pracinha para brincar
e fazíamos muitos passeios: museus, parques, concertos, zoológico e todas as
alternativas que o Rio de Janeiro podia oferecer naquela época. Apesar de ter
sido criada no subúrbio, minhas lembranças de infância estão muito ligadas ao
Aterro do Flamengo. Como brinquei naqueles parques! Tinha por lá uma miniatura
de cidade para crianças e sempre gostei de ir para lá.
Recordo-me de
ficar brincando e sempre de olho no papai. Ele sempre sentado num banco escutando
o jogo de domingo num radinho de pilha. Não dá para pensar no papai sem lembrar
do radinho de pilha. Era quase como uma marca registrada. Rsssss
Este era o Sr.
Nivaldo: uma pessoa de princípios e com regras rígidas, um pai presente, que
cobrava de nós responsabilidade e respeito ao próximo e as coisas públicas. Uma
pessoa que gostava de estar bem informada, lia muito e estava atento aos
acontecimentos no Brasil e no mundo. Com isto ganhou, de uma amiga minha, um
apelido que muito se assemelhava a ele: professor de história. Gostava de ler
biografias e tinha uma memória espantosa para fatos e pessoas.
Daí o título do
blog. Sempre que vejo algo por aqui tenho vontade de contar a ele, pois sei que
ficaria muito interessado. Sempre ocorria isto nas minhas viagens: ele ficava
ansioso para minha chegada para conversarmos sobre o que mais havia me
impressionado. Agora que já não o tenho mais fisicamente perto de mim, ficam as
palavras presas no pensamento…
Para que não
tenha as memórias somente para mim decidi conversar com meu pai através do PC.
Espero que nossas conversas sejam interessantes a quem for ler, afinal, quam
escreve sempre busca alcançar o leitor.
Boa leitura a
todos
Que este flamenguista boa gente, continue agora olhando pela gente de outro patamar...
ResponderExcluirBjs querida
Junior/Natal
Oi JR, tenho certeza de que ele poderá nos olhar sim! bjs
ResponderExcluirUfa! Que texto, Daisy! Beijos
ResponderExcluirOi Belzinha, obrigada!
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