quarta-feira, 27 de junho de 2012

Este blog tem uma história e toda história tem um começo...

Nivaldo, flamenguista com saúde, pois "doentes são os outros". Fevereiro, 2005

Maputo, 18 de maio de 2012, 17h (horário do Brasil): Fiz uma ligação para minha mãe. Ela me atendeu falando entre lágrimas: Daisy, o teu pai está morrendo!

Ao ouvir esta frase, senti um soco no estômago! Meu pai morrendo… Mesmo sabendo ser esta uma certeza, nunca imaginei seriamente esta possibilidade.
Imediatamente vieram em minha mente imagens da minha infância. Meu pai: aquele homem grande e forte segurando a minha mão e me levando para a casa da vovó Maria, pois minha mãe havia ido ao hospital para ganhar neném (meu irmão). Lembro-me muito bem daquele dia: eu e ele descendo a rua, chovia fino e fiquei olhando um filete de água que descia rua junto com nós dois. Como me sentia segura, pois meu pai estava me protegendo.
Depois ele foi comigo até o hospital. Como ainda não tinha 3 anos, não pude entrar. Ele ficou comigo no pátio e minha mãe surgiu na janela para me ver. Parece que foi ontem.
Anos mais tarde, lembro-me de papai com um filho em cada mão, levando para brincar na pracinha do bairro. Pois é… naquele tempo dava para brincar na pracinha do bairro. Brincávamos com areia e papai nos ensinou a brincar no balanço. Adorava quando ele me balançava bem alto. Entretanto ele queria que eu aprendesse a brincar sozinha e brigava comigo. Hoje entendo que aquelas broncas tinham como objetivo me tornar uma pessoa independente. Ele conseguiu!
Depois da manhã de brincadeiras chegava o momento de voltarmos para casa, não sem antes entrar na padaria São Thiago para comprar uma barra de chocolate para cada um. É, meu pai tinha isso: o que fosse para um seria para o outro, só mudava a cor: rosa para mim e azul para meu irmão.  
São muitas as lembranças. Papai tinha uma teoria pedagógica mesmo sem ser professor por formação. Acreditava ser importante proporcionar o máximo de boas experiências na infância. Com isto sempre se preocupava em levar-nos a pracinha para brincar e fazíamos muitos passeios: museus, parques, concertos, zoológico e todas as alternativas que o Rio de Janeiro podia oferecer naquela época. Apesar de ter sido criada no subúrbio, minhas lembranças de infância estão muito ligadas ao Aterro do Flamengo. Como brinquei naqueles parques! Tinha por lá uma miniatura de cidade para crianças e sempre gostei de ir para lá.
Recordo-me de ficar brincando e sempre de olho no papai. Ele sempre sentado num banco escutando o jogo de domingo num radinho de pilha. Não dá para pensar no papai sem lembrar do radinho de pilha. Era quase como uma marca registrada. Rsssss
Este era o Sr. Nivaldo: uma pessoa de princípios e com regras rígidas, um pai presente, que cobrava de nós responsabilidade e respeito ao próximo e as coisas públicas. Uma pessoa que gostava de estar bem informada, lia muito e estava atento aos acontecimentos no Brasil e no mundo. Com isto ganhou, de uma amiga minha, um apelido que muito se assemelhava a ele: professor de história. Gostava de ler biografias e tinha uma memória espantosa para fatos e pessoas.
Daí o título do blog. Sempre que vejo algo por aqui tenho vontade de contar a ele, pois sei que ficaria muito interessado. Sempre ocorria isto nas minhas viagens: ele ficava ansioso para minha chegada para conversarmos sobre o que mais havia me impressionado. Agora que já não o tenho mais fisicamente perto de mim, ficam as palavras presas no pensamento…
Para que não tenha as memórias somente para mim decidi conversar com meu pai através do PC. Espero que nossas conversas sejam interessantes a quem for ler, afinal, quam escreve sempre busca alcançar o leitor.
Boa leitura a todos

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